Os Estados Unidos anunciaram uma proposta de sobretaxa para produtos de 60 países, incluindo o Brasil, por falhas no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida pode afetar diretamente a economia brasileira e o mercado de trabalho.

A investigação foi conduzida pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório concluiu que o Brasil carece de uma proibição legal efetiva para impedir a entrada de mercadorias produzidas sob condições análogas à escravidão em seu mercado interno.

O governo americano estabeleceu dois níveis de tarifa adicional: 12,5% para países como Brasil, China e Índia, e 10% para nações que já possuem alguma proibição parcial, como União Europeia, México e Canadá. A proposta ainda passará por consulta pública até o dia 7 de julho.

Para o trabalhador brasileiro, a medida representa um alerta importante. O combate ao trabalho forçado não é apenas uma questão de direitos humanos — também impacta a competitividade do país no comércio internacional. Setores como o agronegócio, mineração e indústria têxtil podem ser os mais afetados.

O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que "a falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável" e que a prática "força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual". O governo brasileiro, por sua vez, já havia manifestado que esperava a medida e considera a decisão uma questão política.

O Brasil possui uma das maiores economias do mundo e tem assumido compromissos contra o trabalho escravo em acordos internacionais. No entanto, o relatório aponta que ainda faltam mecanismos legais mais rigorosos para barrar a entrada de produtos ligados à exploração. A audiência pública marcada para 7 de julho será decisiva para o futuro da proposta.

Fonte: G1 Economia

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