Cada vez mais brasileiros estão trocando o emprego formal pela motocicleta como fonte de renda. Dados recentes mostram que o número de entregadores por aplicativo cresceu de forma acelerada, impulsionado pela facilidade de começar a trabalhar sem exigência de experiência ou formação específica.
Segundo a Abraciclo, 2025 terminou com recorde de licenciamentos de motos no varejo. Para 2026, a projeção é que a frota chegue a 2,3 milhões de unidades. Empresas de locação emplacaram mais de 70 mil motocicletas em 2024, um salto de 90% na comparação com o ano anterior.
O aluguel de motos virou um atalho para entrar rapidamente no mercado de entregas, sem entrada ou análise de crédito. Mas por trás da porta de entrada fácil, o entregador assume praticamente todos os custos e riscos: combustível, manutenção, seguro e exposição ao trânsito.
Um estudo do Ipea mostrou que a renda média dos entregadores caiu de R$ 2.250 para cerca de R$ 1.800 nos últimos anos. Ao mesmo tempo, cresceu a proporção dos que trabalham mais de 49 horas semanais. A conclusão é clara: para ganhar o mesmo, o trabalhador precisa rodar mais e ficar mais tempo conectado.
Os números de acidentes acendem um alerta. Levantamento da Ação da Cidadania revelou que 41,3% dos entregadores já sofreram acidente durante o trabalho. Mais da metade atua todos os dias da semana, em jornadas que ultrapassam 10 horas diárias, sem direito a folga. Em 2024, as internações de motociclistas custaram mais de R$ 257 milhões ao SUS.
Para quem busca essa profissão como alternativa de renda, a dica é planejar os custos com antecedência e pesquisar as condições de trabalho oferecidas por cada plataforma. A moto continua sendo o meio mais barato para fazer entregas, mas é essencial conhecer os riscos antes de começar.
Fonte: G1 Trabalho e Carreira
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