Os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma lista de países que falham em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Apesar das críticas, o modelo brasileiro de combate a essa prática é considerado referência internacional.

O anúncio foi feito na terça-feira (2) e abrange 60 países, entre eles Suíça, Reino Unido, China e Canadá. A proposta prevê uma sobretaxa de até 12,5% sobre produtos importados dos países listados, que ainda precisa ser aprovada pelo presidente Donald Trump.

As críticas dos EUA não se referem ao uso de trabalho forçado dentro do Brasil, mas sim à fiscalização de produtos importados. No território nacional, o combate é tratado como exemplo mundial.

Desde 1995, quando o Brasil reconheceu oficialmente a existência do trabalho análogo à escravidão perante a OIT, mais de 68 mil trabalhadores foram resgatados. O país atua com base em três pilares: fiscalização, responsabilização de empregadores e apoio às vítimas.

O principal instrumento é a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego. Em 2025, foram realizadas 1.594 operações que resgataram 2.772 trabalhadores. Mais de R$ 9 milhões em verbas trabalhistas foram garantidos às vítimas.

Atualmente, 68% dos resgatados estão em áreas urbanas, principalmente na construção civil. Homens jovens, negros e com baixa escolaridade formam a maioria das vítimas, revelando a desigualdade estrutural que alimenta esse ciclo de exploração.

Fonte: G1 Trabalho e Carreira

Foto: Vanessa Garcia via Pexels