O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 ganhou um capítulo fundamental esta semana. Segundo informações publicadas pelo portal Agência Brasil, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o mercado de trabalho brasileiro tem fôlego para absorver a mudança para uma jornada de 40 horas semanais.

De acordo com o levantamento, os impactos financeiros seriam comparáveis a reajustes históricos do salário mínimo, como os ocorridos em 2001 e 2012, períodos em que o nível de empregos não sofreu redução.


O real impacto nos custos das empresas

Conforme os dados divulgados pela Agência Brasil, embora a redução da jornada para 40 horas eleve o custo direto do trabalhador celetista em 7,84%, o efeito real no bolso das empresas varia drasticamente conforme o setor:

  • Indústria e Comércio: O impacto no custo total da operação seria de menos de 1%. Isso acontece porque, nessas áreas, o gasto com funcionários costuma representar menos de 10% do custo operacional total.

  • Serviços (Vigilância e Limpeza): O custo operacional pode subir cerca de 6,5%, já que esses setores dependem muito mais de mão de obra humana.

  • Pequenas Empresas: O desafio é maior. Nas empresas com 5 a 9 empregados, 88,6% dos trabalhadores cumprem jornadas superiores a 40 horas.

Para os setores mais sensíveis, os pesquisadores do Ipea sugerem uma transição gradual e a possibilidade de contratação de trabalhadores em meio período para suprir eventuais lacunas nas escalas de fim de semana.


Redução de jornada como combate à desigualdade

O estudo, detalhado pela reportagem da Agência Brasil, traz dados reveladores sobre quem são os profissionais que hoje cumprem as 44 horas semanais. Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2023, cerca de 31,7 milhões de pessoas (74% dos trabalhadores com jornada informada) ainda estão no regime de 44 horas.

A pesquisa aponta uma forte ligação entre escolaridade e excesso de horas:

  • 83% dos trabalhadores com ensino médio completo estão na jornada de 44 horas.

  • Apenas 53% de quem tem ensino superior completo cumpre essa mesma carga.

Além disso, a diferença salarial é gritante: a remuneração média de quem trabalha até 40 horas é de R$ 6,2 mil, enquanto quem trabalha 44 horas recebe, em média, menos da metade desse valor.


O que acontece agora?

O tema está no topo da agenda política de 2026. Segundo o portal Agência Brasil, o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou que a análise dessas propostas pelos deputados pode ocorrer já em maio.

Atualmente, duas propostas principais tramitam na Casa: a PEC 8/25 e a PEC 221/19. O tema também foi colocado como prioridade pelo Governo Federal na mensagem enviada ao Congresso no início deste semestre.